Esses dias estava refletindo sobre velhice depois de assistir ao filme Benjamin Button. Em uma parte do filme aparece a frase: não tem nada errado em envelhecer.
Instantaneamente pensei em meu avô. Que está envelhecendo sem escutar o mundo, sem conseguir conversar com ninguém por simplesmente não aceitar que está ficando velho. Como sinto falta dele, resolvi que vou me comunicar por cartas com ele. Daí vieram outras reflexões, o que ele gosta? quem ele é? quais assuntos eu posso conversar com ele sem ofender a idade?
Cartas são monólogos muitas vezes narcisistas, pois falamos sobre nós o tempo inteiro para que a pessoa saiba quem somos e o que fazemos para depois perguntar sobre elas não é verdade?
E isso nos dá uma responsabilidade muito grande em qual imagem vamos passar para o interlocutor. Ainda mais um interlocutor que certamente vai mostrar aquela carta a todo o ciclo reduzido de convivência dele.
Nesse momento, de escolher sobre o que falar, resolvi falar sobre coisas do cotidiano, para ele ver que estou bem. Também falei de assuntos que ele se interessa como o tempo e os buracos na rua. Não sei se ele entenderia eu falar sobre me sentir sozinha ou sobre meu namoro à distancia e a saudade que já virou companhia.
E então perguntei sobre ele. Estou ansiosa para conhecer melhor meu avô em seus 86, 87 (?) anos. e quem sabe entender melhor a velhice e como me comportar com ela quando chegar.
No fundo uma coisa permanece em todos: carência. de toque, de afeto, de ouvir boas palavras, de continuar amado depois de tantos e tantos anos. Talvez já estamos nos abastecendo de amor pelo twitter. falando para todos sobre nossa vida na espera de uma respostinha ou um carinho de volta. expressando nossas opinioes em blogues secretos pelo simples prazer de ser lido ao acaso e comentado.
Só porque vivemos hoje de uma maneira que não somos nós por inteiro para as pessoas, mas partes de nós de acordo com a pessoa...mas falo disso depois.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
contorno
Não moro mais em Fortaleza. Algumas partes de mim permanecem na cidade, mas nao moro mais lá. Da primeira vez que voltei à Fortaleza tive que explicar que estava sumida porque não morava mais lá, estava estudando em outro estado. Tive que ouvir de um conhecido "traga o conhecimento de volta".
Hoje estava refletindo sobre esse "retorno à casa do pai"...se assim posso chamar.
Esse conhecido meu não faz a menor idéia do que está falando...a não ser que ele seja uma pessoa capaz de ser totalmente anti-social. Uma vez que saímos de casa, mesmo por tempo limitado, toda uma vida é formada ao nosso redor.
Não tenho a menor vontade de voltar para lá depois de viver o que já vivi aqui...depois do que construí, não nessa nova cidade, mas em todas ao redor.
Meus amigos não são de Londrina. Meus amigos são de todo lugar! São pessoas mais incríveis que os personagens incriveis dos livros mais maravilhosos!
Os amigos que fiz aqui têm alma, coração, defeitos, respeito.
Os amigos de quatro anos de faculdade, hoje, nem falam comigo. Os meus amigos de Fortaleza se perderam em Fortaleza...quem tenho de lá são as pessoas cheias de alma, coração, defeitos e respeito que sempre tive e não largo mão, mas não estão mais lá! mas esses novos...ahhh esses amigos novos...não largo mão jamais!
e para que voltar? para encontrar as coisas que reclamei a vida inteira? para me encontrar na ridicula situação de incompreendida que sempre me encontrei?
Aqui está longe de ser perfeito, afinal, sábia mamãe diz: a humanidade é uma só. Não se iluda!
mas uma vida inteira está sendo construída...não faz sentido derrubar tudo e voltar para algo que está, finalmente, sendo deixado no lugar certo: passado.
Não estou sendo injusta. Gosto de algumas coisas de lá ainda. Tive excelentes professores...alguns que, mesmo sendo muito ruins ainda são muito bons comparados com alguns daqui. Tive excelentes experiências, tenho meus pais e alguns carinhos casados por lá. Mas não tenho mais esperança que um dia os sentimentos bons voltem meio aquele calor...
Os tufões que destruíram a cidade em que moro, deixaram ela feia, parecendo cenário de guerra...me fizeram querer voltar e ver a praia, que sempre foi linda! porque praia é paz e árvores caídas num lago barrento não parece nada pacífico.
mas passou...os estragos naturais continuam, mas o tamanho do coração de quem está perto de mim faz o cenário-guerra parecer muito pequeno.
Só sinto falta da minha praia do passado.
Hoje estava refletindo sobre esse "retorno à casa do pai"...se assim posso chamar.
Esse conhecido meu não faz a menor idéia do que está falando...a não ser que ele seja uma pessoa capaz de ser totalmente anti-social. Uma vez que saímos de casa, mesmo por tempo limitado, toda uma vida é formada ao nosso redor.
Não tenho a menor vontade de voltar para lá depois de viver o que já vivi aqui...depois do que construí, não nessa nova cidade, mas em todas ao redor.
Meus amigos não são de Londrina. Meus amigos são de todo lugar! São pessoas mais incríveis que os personagens incriveis dos livros mais maravilhosos!
Os amigos que fiz aqui têm alma, coração, defeitos, respeito.
Os amigos de quatro anos de faculdade, hoje, nem falam comigo. Os meus amigos de Fortaleza se perderam em Fortaleza...quem tenho de lá são as pessoas cheias de alma, coração, defeitos e respeito que sempre tive e não largo mão, mas não estão mais lá! mas esses novos...ahhh esses amigos novos...não largo mão jamais!
e para que voltar? para encontrar as coisas que reclamei a vida inteira? para me encontrar na ridicula situação de incompreendida que sempre me encontrei?
Aqui está longe de ser perfeito, afinal, sábia mamãe diz: a humanidade é uma só. Não se iluda!
mas uma vida inteira está sendo construída...não faz sentido derrubar tudo e voltar para algo que está, finalmente, sendo deixado no lugar certo: passado.
Não estou sendo injusta. Gosto de algumas coisas de lá ainda. Tive excelentes professores...alguns que, mesmo sendo muito ruins ainda são muito bons comparados com alguns daqui. Tive excelentes experiências, tenho meus pais e alguns carinhos casados por lá. Mas não tenho mais esperança que um dia os sentimentos bons voltem meio aquele calor...
Os tufões que destruíram a cidade em que moro, deixaram ela feia, parecendo cenário de guerra...me fizeram querer voltar e ver a praia, que sempre foi linda! porque praia é paz e árvores caídas num lago barrento não parece nada pacífico.
mas passou...os estragos naturais continuam, mas o tamanho do coração de quem está perto de mim faz o cenário-guerra parecer muito pequeno.
Só sinto falta da minha praia do passado.
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