quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Carência: a doença do futuro

Esses dias estava refletindo sobre velhice depois de assistir ao filme Benjamin Button. Em uma parte do filme aparece a frase: não tem nada errado em envelhecer.
Instantaneamente pensei em meu avô. Que está envelhecendo sem escutar o mundo, sem conseguir conversar com ninguém por simplesmente não aceitar que está ficando velho. Como sinto falta dele, resolvi que vou me comunicar por cartas com ele. Daí vieram outras reflexões, o que ele gosta? quem ele é? quais assuntos eu posso conversar com ele sem ofender a idade?

Cartas são monólogos muitas vezes narcisistas, pois falamos sobre nós o tempo inteiro para que a pessoa saiba quem somos e o que fazemos para depois perguntar sobre elas não é verdade?
E isso nos dá uma responsabilidade muito grande em qual imagem vamos passar para o interlocutor. Ainda mais um interlocutor que certamente vai mostrar aquela carta a todo o ciclo reduzido de convivência dele.

Nesse momento, de escolher sobre o que falar, resolvi falar sobre coisas do cotidiano, para ele ver que estou bem. Também falei de assuntos que ele se interessa como o tempo e os buracos na rua. Não sei se ele entenderia eu falar sobre me sentir sozinha ou sobre meu namoro à distancia e a saudade que já virou companhia.

E então perguntei sobre ele. Estou ansiosa para conhecer melhor meu avô em seus 86, 87 (?) anos. e quem sabe entender melhor a velhice e como me comportar com ela quando chegar.

No fundo uma coisa permanece em todos: carência. de toque, de afeto, de ouvir boas palavras, de continuar amado depois de tantos e tantos anos. Talvez já estamos nos abastecendo de amor pelo twitter. falando para todos sobre nossa vida na espera de uma respostinha ou um carinho de volta. expressando nossas opinioes em blogues secretos pelo simples prazer de ser lido ao acaso e comentado.

Só porque vivemos hoje de uma maneira que não somos nós por inteiro para as pessoas, mas partes de nós de acordo com a pessoa...mas falo disso depois.

1 comentário:

  1. "Só porque vivemos hoje de uma maneira que não somos nós por inteiro para as pessoas, mas partes de nós de acordo com a pessoa...mas falo disso depois." faça ao contrario e seja banida ou estranha...

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